quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

PSICANALITICAMENTE FALANDO ...AINDA NOS DIAS DE HOJE

Ainda hoje , relacionamentos mal sucedidos são uma das poucas coisas que tiram os seres humanos de seu prumo, que os derrubam de tal forma , que muitas instituições psiquiátricas em seu 
interior trazem pessoas que tiveram seus egos rompidos , desertaram da vida , afastaram-se de suas mentes e tornaram-se verdadeiros farrapos humanos em nome da paixão , do amor não correspondido.

Exaltasamba - Separação

NUNCA DEIXE UM HOMEM DEFINIR QUEM VOCÊ É, NÃO O TORNE UM SEMI - DEUS !!!



Ótimo texto da conceituadíssima apresentadora dos Estados Unidos, Oprah Winfrey:

"Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe..."

Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe;
Se ele não te quer, nada pode fazê-lo ficar.
Pare de dar desculpas (de arranjar justificativas) para um homem e seu comportamento.
Permita que sua intuição (ou espírito) te proteja das mágoas.
Pare de tentar se modificar para uma relação que não tem que acontecer.
Mais devagar é melhor. Nunca dedique sua vida a um homem antes que você encontre um que realmente te faz feliz.
Se uma relação terminar porque o homem não te tratou como você merecia,”****-se, mande pro inferno, esquece!”, vocês não podem “ser amigos”. Um amigo não destrataria outro amigo.
Não conserte.
Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente é porque ele está mesmo. Não continue (a relação) porque você acha que “ele vai melhorar”.
Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores.
A única pessoa que você pode controlar em uma relação é você mesma.
Evite homens que têm um monte de filhos, e de um monte de mulheres diferentes. Ele não casou com elas quando elas ficaram grávidas, então, porque ele te trataria diferente?
Sempre tenha seu próprio círculo de amizade, separadamente do dele.
Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar,faça um escândalo.
Nunca deixe um homem saber de tudo. Mais tarde ele usará isso contra você.
Você não pode mudar o comportamento de um homem. A mudança vem de dentro.
Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você… mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.
Não o torne um semi-deus.
Ele é um homem, nada além ou aquém disso.
Nunca deixe um homem definir quem você é.
Nunca pegue o homem de alguém emprestado.
Se ele traiu alguém com você, ele te trairá.
Um homem vai te tratar do jeito que você permita que ele te trate. Todos os homens NÃO são cachorros.
Você não deve ser a única a fazer tudo…compromisso é uma via de mão dupla.
Você precisa de tempo para se cuidar entre as relações. Não há nada precioso quanto viajar. Veja as suas questões antes de um novo relacionamento.
Você nunca deve olhar para alguém sentindo que a pessoa irá te completar.
Uma relação consiste de dois indivíduos completos,procure alguém que irá te complementar… não suplementar.
Namorar é bacana. mesmo se ele não for o esperado Sr. Correto.
Faça-o sentir falta de você algumas vezes… quando um homem sempre sabe que você está lá, e que você está sempre disponível para ele, ele se acha…
Nunca se mude para a casa da mãe dele. Nunca seja cúmplice (ou co-assine qualquer documento) de um homem.
Não se comprometa completamente com um homem que não te dá tudo o que você precisa. Mantenha-o em seu radar, mas conheça outros…
Compartilhe isso com outras mulheres e homens (de modo que eles saibam). Você fará alguém sorrir, outros repensarem sobre as escolhas, e outras mulheres se prepararem.
O medo de ficar sozinha faz que várias mulheres permaneçam em relações que são abusivas e lesivas
Você deve saber que você é a melhor coisa que pode acontecer para alguém e se um homem te destrata, é ele que vai perder uma coisa boa.
Se ele ficou atraído por você à primeira vista, saiba que ele não foi o único.
Todos eles estão te olhando, então você tem várias opções.
Faça a escolha certa!

DE TANTO AMOR ... DJAVAN E ERASMO CARLOS...





Eu diria que esta ainda não é a Morte do Cisne ... é só a sua agonia!!!

Pra que tanta dor , tanto sofrimento em algo que deveria ser belo e deixar a lembrança de momentos incríveis , vividos a dois ... que cresceram , amadureceram e agora tornam - se distantes , não precisa ser 
desse jeito ... aproveite só o que te fez crescer e joga o que restou para o Universo e ele transformará essa
energia na chegada de um novo amor!!!!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

TODO MUNDO QUER AMOR

O psicanalista e psiquiatra Jorge Forbes* fala que:
 A felicidade amorosa não tem garantia. Ele acredita que buscá-la é obrigação de todos. Mesmo sabendo do risco de se machucar no caminho.Todo ser humano necessita de alguém que o incomode, que o desafie todos os dias. Quando acontece o encontro, um acorda o outro e é bom, as pessoas precisam de alguém que as retire do comportamento individualista. A mulher deve ser "a pedra no caminho" do homem, como nos versos de Carlos Drummond de Andrade. É ela quem alerta o homem, porque ele é mais acomodado e ela é mais inquieta. O encontro faz com que os dois tenham motivo para reinventar a vida todos os dias. Mas felicidade dá trabalho.
Fixar-se na falta do parceiro é uma atitude infeliz?
 Idealizar que o parceiro é a fonte da felicidade tem dois lados ruins:
  1. Enquanto está sem par, a pessoa desvaloriza as outras conquistas da vida, que também são importantes, mas acabam passando despercebidas. 
  2. Se, por acaso, consegue que seu relacionamento amoroso atinja seu ideal de felicidade, está fadada a perder essa situação, já que nenhum relacionamento é ideal eternamente.
  3. Como realizar o sonho de ser feliz no amor? 
  4. Tentar ser feliz é obrigatório. Realizar é uma sorte. Para chegar um pouco mais perto, aí vão alguns lembretes:
  1. Não acredite em conselhos que tenham em sua composição a palavra "dever".
  2. Esqueça regras pré-concebidas. As formas de satisfação a dois só podem ter uma regra – o comum acordo entre os parceiros.
  3. Os parceiros podem contar todas as fantasias amorosas um para o outro: contar sempre, realizar quando der. 
  4. Jamais tente compreender a felicidade. É preciso suportar o inusitado dela, mesmo se você não compreende o que está acontecendo! Com medo de que a felicidade acabe, as pessoas ficam tentando descobrir a receita para repetir exatamente o que aconteceu, na tentativa de aprisionar o momento feliz. Mas toda vez que se constrói uma prisão, a felicidade acaba.
  5. A base da felicidade é o novo, a originalidade. Ela é a possibilidade de viver fora do padrão e de reinventar a vida. Quem ousa tem mais chance de ser feliz.
Dizem que"casamento é loteria".  Felicidade é questão de sorte?
Concordo que o amor é um encontro por acaso. A essência do relacionamento não se pode prever e nem medir. Todo balanço pré-nupcial tem um elemento imponderável, por isso os mais velhos costumavam dizer que "quem pensa muito não casa". A razão é simples: é impossível entender plenamente por que se está casando.
A felicidade depende da maturidade?
Isso não garante nada. A maturidade é uma chatice que a civilização impõe. A felicidade é poder manter algo dos 5 anos de idade e não ser taxado de débil mental. Felicidade é a força bruta do desejo, que dá o impulso para que as coisas se realizem.
 "Tenho medo da dependência" é outro clichê moderno para fugir da intimidade emocional. 
Atrás dessa frase há sempre uma pessoa querendo muito ser dependente. Ao encontrar alguém aparentemente disponível, agarra-se a ela como garantia de segurança emocional, econômica, social, espiritual... mas isso não é felicidade. Há sempre uma diferença radical entre dois parceiros: amor é o nome que se dá à ponte que recobre temporariamente essa distância entre eles. Mas a diferença sempre vai reaparecer, é inevitável. A felicidade é tênue, um encontro provisório. Não é standard, nunca é fixa.
Esperar que a relação seja fonte de felicidade revela uma visão idealizada do amor?Tratar a relação amorosa como um tapa-buraco para as dificuldades da vida é exigir demais do parceiro, que acaba tendo uma responsabilidade que desconhece e com a qual não pode arcar. Relacionamento amoroso ajuda, sim, mas indiretamente: fornece energia e entusiasmo para enfrentar a vida.
O que precisamos saber para amar e ser feliz?
Que não existe garantia. Todo amor é um contrato de risco e nisso reside sua graça e sua desgraça. Graça, quando contribui para aumentar o entusiasmo na vida. Desgraça quando deixa a pessoa desarvorada – a pior reação de uma mulher frente à perda de um amor, segundo [a escritora] Marguerite Duras.  
Mulher sofre mais por amor do que homem?
JF: Geralmente, sim. O abatimento da mulher é maior porque a capacidade feminina de amar é infinitamente superior à do homem.
MC: Felicidade é uma responsabilidade pessoal?
JF: Pessoal e intransferível. Quem espera que o outro lhe traga a felicidade é porque se acomodou. Colocou o parceiro no lugar da mãe que levava o Toddy na cama.

MC: Na carência afetiva, corremos o risco de consumir o outro como um "antidepressivo"?
JF: Transformar amor em remédio é perigoso, felicidade não é artigo de consumo. A relação amorosa tem duas vertentes: a afetiva e a sensual. A afetiva é cuidado, segurança, companheirismo – é repetição. A sensual é invenção e nada tem a ver com o cuidar – envolve surpresa, uso sexual recíproco e tem uma vertente enigmática. Quando as pessoas estão carentes, tendem a desenvolver a corrente amigável e sufocar a sensual. Aí o amor acaba. Quem se preocupa demais com o dia-a-dia costuma fazer mal amor à noite.

MC: A felicidade amorosa quase sempre vem acompanhada do medo da perda, do abandono ou da traição. Como superar isso?
JF: Quando se gosta de alguém, a tendência é ficar vulnerável. Amar é suportar ser ridículo. A partir dos 30 anos as pessoas estão escaldadas, já tiveram decepções amorosas. Daí o medo. Mesmo assim, vale a pena arriscar novamente, ainda sabendo que pode se ferrar de novo. Mas se a pessoa só se ferra, é hora de desconfiar de suas más escolhas. Tem gente que tem prazer em sofrer.

MC: A euforia do começo da paixão pode ser chamada de felicidade?
JF: A paixão pode ser chamada de felicidade, mas, quando se transforma em um ideal de vida, fica supervalorizada e representa um perigo. Fica bonito no teatro, mas é muito triste na vida real. Daí personagens como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa... Morreram porque tentaram eternizar a paixão. Quando os envolvidos querem manter intocável a paixão, quando não suportam mudança ou interferência, acabam selando um compromisso de morte.

*Jorge Forbes é presidente do Instituto de Pesquisas e Psicanálise de São Paulo; membro da Escola Européia de Psicanálise e autor de vários livros. O mais recente é "Da Palavra ao Gesto do Analista", pela Jorge Zahar Editores.

COM RELAÇÂO AO APEGO...

Apego é "uma forma imatura de amor", declara o psicanalista Erich Fromm. 

A psicanálise prefere falar de simbiose quando há um desejo inconsciente de fusão total entre duas ou mais pessoas, impedindo assim a manifestação da identidade de cada uma, Segundo Erich Froom.
Enquanto que a simbiose é um tipo de relação que imobiliza o outro, controlando-o segundo interesses egoístas, o amor verdadeiro também deseja inconscientemente de dois fazer UM, mas quando é "trabalhado" ambos sabem respeitar o espaço e a identidade de cada um.
A experiência diz que o amor - qualquer forma de amor - perdura se considera e respeita o outro como ele é. Já o apego, por não deixar o outro ser, termina sufocando o seu desenvolvimento e a própria troca afetiva


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

DIMENSÕES DO PROCESSO PSICANALÍTICO

Em qualquer psicanálise existe sempre a dimensão do apoio emocional, que estará mais ou menos presente, especialmente em momentos de crises na vida do analisando. Se alguém me disser que isso ocorre também em outras psicoterapias e que, portanto, não é característica da psicanálise, eu até concordaria. Mas se me dissessem que isso não ocorre no processo psicanalítico, eu iria discordar. O simples ato de alguém ouvir o outro – de preferência inteligentemente – já é um grande apoio emocional. E olhem que ouvir não é muito fácil…

Além disso, num processo psicanalítico existe sempre um movimento na direção do esclarecimento dos pensamentos e das emoções do analisando (subterraneamente do analista também...). À medida que o paciente fala, revive e sente, inevitavelmente estará esclarecendo seus pensamentos, memórias e emoções relacionados com sua vida presente e passada. Isso por si só constitui grande parte do que se passa no encontro psicanalítico: a catarse e o esclarecimento. Outra vez, poderei ouvir que isso, por si só, isso não caracteriza a psicanálise. Concordo mas, repito, essa é, sem dúvida, uma das milhares dimensões que ela apresenta.

E os vários aspectos do relacionamento interpessoal entre as duas pessoas, o analista e o analisando, que se encontram regularmente por um considerável período de tempo? Sei que para alguns isso pode ser uma heresia, especialmente os que consideram a psicanálise uma forma de hermenêutica, isto é, meramente uma interpretação da fala do paciente. Não tenho nada contra essa noção, pois, de certa forma, a fala pode ser vista como um texto a ser interpretado (chegaremos à interpretação daqui a pouco). Mas dizer que isso ocorre num ambiente impessoal, sem que se forme um laço entre analista e analisando, parece-me uma negação do encontro entre essas duas pessoas.

Em termos de psicanálise, muito importante é a transferência, isto é, a maneira como o paciente se relaciona com o analista, inconscientemente tentando repetir os relacionamentos que teve com pessoas importantes do seu passado. Aqui entra um elemento histórico na análise. De uma feita concordei com um analista meu amigo que me disse que quanto menos uma pessoa tiver a necessidade de esquecer, maior será a sua saúde mental. Também não podemos desconsiderar as distorções emocionais vindas do analista, pois ele da mesma forma tem a sua história com pessoas importantes do seu passado. Chamamos isso de contra-transferencia.

Poderíamos incluir aqui não só esse tipo de contratransferência como também aqueles sentimentos que o analisando provoca silenciosamente no analista e que o faz, sem saber, repetir os sentimentos e o comportamento de pessoas importantes na vida passada do analisando.

É por isso que o analista sempre deve desconfiar de todos os seus sentimentos e pensamentos que surgem no seu encontro com o analisando e usá-los para entendê-lo melhor.

Mas agora vem a pergunta inevitável. Além da transferência e contratransferência,
existe um relacionamento real entre o analisando e o analista? Caímos aqui na maior controvérsia. Para alguns não existe e tudo que ocorre nesse relacionamento deve ser atribuído à transferência e contratransferência. Mas outros que acham que esse relacionamento não só existe como é fundamental. Com eles vamos encontrar termos como Aliança Terapêutica, Aliança de Trabalho e outros, que chamam a atenção para a importância desse relacionamento real entre as duas pessoas e que, eventualmente, irá (espera-se) prevalecer sobre as distorções transferenciais. Então essa poderia ser uma das várias metas do processo psicanalítico: o encontro dos dois participantes sem as distorções interpessoais oriundas de seus passados.

Aqui me ocorre também o termo “Experiência Emocional Corretiva” que considero outra dimensão do processo. Não estou me referindo ao analista se comportar propositadamente de determinada maneira para se diferenciar das pessoas importantes na vida do analisando. Refiro-me apenas ao psicanalista não reciprocar as provocações emocionais transferenciais do analisando. Isso, por si só, já constitui uma correção. E é necessária uma boa formação e a própria psicanálise para o analista não cair nesse engodo. Lembro-me de um psicanalista supervisor que eu admirava e que trabalhava em psicoterapia intensa com pacientes esquizofrênicos. Ele parecia um missionário: acreditava que apesar da maneira doentia que o paciente com ele se relacionava, mais dia menos dia iria dar lugar a um relacionamento real saudável entre os dois.

O método psicanalítico é construído para maximizar essas distorções transferenciais até que elas se tornem o problema central no processo: a chamada Neurose de Transferência que poderá então ser analisada no aqui e no agora. Poderíamos dizer que quanto maior a freqüência das sessões, quanto menor for a transparência do analista, maior será a intensidade dessa Neurose de Transferência.

Ao falar no relacionamento entre analista e analisando penso nos pacientes com doenças mentais graves. Freud achava que a psicanálise não se aplicava a esses pacientes – considerados muito narcisistas – portanto incapazes de formar um laço emocional com o psicanalista. Por causa dessa sua posição (apesar de na prática ter tratado de pacientes com desordens muito graves), muitos psicanalistas até hoje não atendem esses pacientes. Entra aí então o conceito de analisabilidade, isto é, os pacientes que são selecionados como analisáveis, antes de serem aceitos como analisandos. Contudo, mesmo contrários à opinião de Freud, alguns analistas se interessaram por esses pacientes. Para atendê-los eles modificaram a psicanálise. O analista ficava mais ativo e mais transparente ao analisando, sem o uso do divã.

Harry Stack Sullivan, nos Estados Unidos, trabalhou com sucesso com esses pacientes e desenvolveu o conceito de “Participante Observador” para definir o papel do analista nesses casos. Mas isso será assunto para meu próximo artigo, uma área de controvérsia entre a psiquiatria e a psicanálise.

Podemos concordar com os puristas que o que realmente diferencia a psicanálise das outras psicoterapias é a sua proposta de interpretar o inconsciente. Só para lembrar, o inconsciente, que aparece muito camuflado nos sonhos e nos atos falhos, não é de fácil acesso. O atendimento psicanalítico é montado para facilitar a emergência desse inconsciente através da associação livre. O papel do analista é ajudar o paciente a se conscientizar desses processos mentais que até então não lhe eram acessíveis. Nesse sentido acho útil a focalização na fala do paciente porque realmente, entre outras coisas que se passa na sessão, o analista tenta ouvi-la inteligentemente.

Nesse sentido acho também interessante o estudo da lingüística, com os conceitos de significado e significante, entre outros, aplicados ao processo psicanalítico. Mas não paro aí. O paciente também se comunica com o analista num modo pré-verbal e emocional.

Volto a enfatizar que existem muitas coisas acontecendo simultaneamente no consultório do analista quando o analisando, deitado no divã, faz as suas associações livres.

Até agora, com a relação à interpretação, estamos usando o referencial da chamada Primeira Tópica freudiana ou Teoria Topográfica (consciente, pré-consciente e inconsciente). Mas, como sabemos, eventualmente, ao tentar entender melhor o funcionamento mental, especialmente nas reações terapêuticas negativas e no sentimento de culpa, Freud construiu também uma Segunda Tópica, também chamada Teoria Estrutural (ego, id, superego). Parte do ego é inconsciente (por exemplo, as defesas), quase todo o id também o é, e o superego só aparece clinicamente quando entra em conflito com o id ou com o próprio ego. Numa análise nós também usamos esse referencial estrutural pelas mesmas razões que levaram Freud a construí-lo. Quando assim o fazemos, estamos trabalhando nos relacionamentos do ego com as outras duas agências mentais e com a realidade externa. Essa Teoria Estrutural ajuda no entendimento de certos fenômenos mentais, entre eles a adaptação do analisando ao seu mundo exterior. Ela é erroneamente criticada por ser uma “psicanálise ortopédica do ego” que foge do inconsciente para levar a pessoa a se conformar com as normas sociais vigentes. Claro que isso não é assim, porque conformidade não é o mesmo que adaptação.

A teoria topográfica e a estrutural podem se completar, mas nunca foram integradas numa abordagem geral. Ora uma é usada ora outra, dependendo do que ocorre na análise.

É interessante notar que foi mais ou menos na mesma época em que Freud explorou essa visão estrutural, que ele, que até então defendia uma teoria monista dos instintos (só a libido) passou a propor uma teoria dualista dos mesmos, colocando a agressão como um instinto tão básico quanto a libido.

Vocês podem agora estar se perguntando como o analista consegue levar em conta todas essas variáveis e ainda se conscientizar de tudo que a fala e o comportamento do paciente provocam dentro de si mesmo (nós somos muito mais humanos do que não, não?). Aqui voltamos ao que Freud chamou de Atenção Flutuante. Um analista razoavelmente analisado nunca focaliza numa só dimensão do que ocorre na sessão psicanalítica. Isso só acontece com principiantes inseguros que precisam reduzir as dimensões para se sentirem mais no controle da situação. Com os mais experientes, a Atenção Flutuante funciona bem na medida em que o analista escuta e sente a presença e as mensagens de seu analisando (verbais e não-verbais). Ele deixa a sua atenção livre para seguir todos os caminhos que se lhe apresentem na sua mente. Como dizia um amigo meu analista: Se numa sessão de análise eu não aprendi nada sobre mim mesmo, provavelmente o paciente também não aprendeu...

Portanto, proponho que no processo psicanalítico existem mil e uma dimensões. Nesse pequeno artigo eu mencionei algumas que me vieram à mente, sem me preocupar em saber quais são as mais importantes. Eu poderia continuar mencionando outras e então este artigo não teria fim.

Paro por aqui. Mais ou menos por aí. A lápis…
24/12/08